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Cuba: A hora é agora

A labuta do dia a dia em Cuba é amaciada, temperada e embalada por música. Não a música dos fones de ouvido que isola a gente da hostilidade das metrópoles, mas música ao vivo, executada em instrumentos reais, nas calçadas, nas portas das casas e nos centros culturais, sem qualquer cerimônia, nem formalidade. Lembra de Compay Segundo, Ibrahim Ferrer e companhia, que o mundo conheceu no belo e premiado documentário do diretor alemão Wim Wenders, Buena Vista Social Clube (1999)? É esse tipo de músico que está por toda parte.

Os anos recentes vêm sendo positivos para as relações de Cuba com os Estados Unidos. Os países anunciaram reabertura mútua de representações diplomáticas. O presidente Barack Obama chegou a visitar a ilha com a família e beber um mojito no bar La Bodeguita del Medio, no centro de Havana, celebrizado por um dos maiores botequeiros que o planeta já viu, o escritor Ernest Hemingway.

A rota regular de cruzeiros marítimos que começou a operar em maio a partir de Miami, da empresa Fathom (fathom org/cruise-to-cuba), subsidiária da gigante Carnival, movimentou o ano turístico de Cuba. Outras grandes do setor foram atrás. A MSC lançou o seu roteiro a partir de Havana (bit.ly/ msccuba) pouco tempo depois, com a vantagem, para brasileiros, de ter o voo de ida e volta incluído. A temporada 2016/2017, em ambas as empresas, já começou.

Na semana passada, o governo cubano liberou mais duas companhias para levarem seus navios à ilha: Norwegian (com as marcas Oceania e Regent Seven Seas, que começam a navegar entre abril e maio) e Royal Caribbean (também com Azamara Cruises), em data a ser anunciada em breve.

Para os brasileiros, a CVC acaba de anunciar a inclusão de Cuba em seu portfólio de produtos. Os roteiros podem ser combinados com Miami ou Panamá, a gosto do freguês. Cinco noites em Varadero, com passeio a Havana e aéreo, custam a partir de R$ 3 966.

O clima de cautela se instalou no mercado do turismo com o noticiário recente. A eleição do republicano Donald Trump joga dúvidas sobre a continuidade do processo de retomada das relações bilaterais. “Obama foi responsável pelo primeiro passo, pela aproximação”, analisa Denise Santiago, diretora da agência de viagens CiaEco, especializada em roteiros a Cuba. “Mas daqui para frente a missão será mais complicada. Com a vitória de Trump, fica difícil imaginar o fim do bloqueio a curto prazo e de forma simples.”

A morte de Fidel Castro tem peso mais simbólico do que prático, já que o país vinha sendo comandado por Raúl Castro desde 2006. Mas, tudo junto, criou-se uma percepção coletiva de que a hora de ir a Cuba é agora, que não está de todo errada.

“As casas particulares, hospedagem em casas de cubanos, anteciparam em muitos anos o Airbnb e hoje podem ser alugadas pelo site. Mesmo que os americanos venham em cada vez maior número, continuarão sendo a melhor opção para experimentar a Cuba dos cubanos”, explica o colunista do Viagem Ricardo Freire

As praias caribenhas de mar límpido e areias finas continuarão lá, claro – a propósito, troque a cheia e antiquada Varadero pela bela Cayo Largo. Bem como a arquitetura colonial espanhola mais ou menos arruinada da capital Havana (em rota de recuperação nos pontos mais emblemáticos). Já os carros de época, como os Cadillacs rabo de peixe e os Ladas soviéticos, tendem a sobreviver só para passeios turísticos.

Além de Havana, as cidades ligadas ao histórico da Revolução Cubana, em 1959, como Cienfuegos e Santa Clara, onde está o mausoléu de Che Guevara, são atrativos em Cuba. Trinidad é uma espécie de mini Salvador, com muitos centros culturais que servem como espaço para a expressão da santería, religião que mistura matrizes africana e católica. A antiga capital, Santiago, é outro lugar onde a trilha sonora típica se alastra por cada esquina, em meio a um dia a dia caótico e calorento, com vista para a Sierra Maestra e para o mar. Saiba que vale a pena: Cuba é música para os ouvidos.

Fonte: Agência Estado